A preciosa doutrina do evangelho da justificação pela fé, sem a necessidade das obras da lei, era um conceito complexo para os judeus. Isso se deve ao fato de que a ideia de justificação sem obras contrariava as noções de fé que haviam sido ensinadas ao longo das gerações. Por essa razão, a fim de tornar o ensinamento mais claro e compreensível, Paulo recorre ao exemplo de Abraão, um nome profundamente valorizado e respeitado entre os judeus. Esse exemplo confere ainda mais peso aos argumentos apresentados pelo apóstolo.

Se o pai Abraão, um patriarca tão renomado por sua submissão e obediência, foi justificado unicamente pela fé e não por suas obras, como poderiam seus descendentes desejar uma justificação fundamentada em méritos humanos? Seria algum deles superior a Abraão? Assim, o capítulo 4 da carta aos Romanos é desenvolvido a partir dessa reflexão, tendo como base a declaração das Escrituras:

“E Abrão creu no Senhor, e isso lhe foi atribuído como justiça.”
(leia Gênesis 15:6)

Desse modo, se Abraão tivesse sido justificado pelas obras, teria do que se gloriar — mas não diante de Deus. Paulo demonstra que Abraão não foi justificado por suas ações, mas por sua fé em Deus (leia Romanos 4:1–8); analisa quando e por que ele foi justificado (leia Romanos 4:9–17); descreve e recomenda a fé que Abraão exerceu (leia Romanos 4:17–22); e, por fim, aplica essa verdade diretamente a nós:

“Por isso, ‘isso lhe foi atribuído como justiça’. E as palavras ‘lhe foi atribuído’ não foram escritas apenas por causa dele, mas também por nossa causa, a quem Deus atribuirá justiça, a nós que cremos naquele que ressuscitou dos mortos a Jesus, nosso Senhor. Ele foi entregue à morte por causa de nossos pecados e ressuscitou para nos declarar justos.”
(leia Romanos 4:22–25)

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