À medida que líderes religiosos começaram a utilizar os meios de comunicação como rádio, televisão e internet para disseminar seus próprios ensinamentos, a palavra “evangelho” vem perdendo seu significado. Isso resultou em uma mensagem confusa, influenciada por opiniões humanas e que já não faz mais sentido. Para desfazer essa confusão, é necessário esclarecer o que não é o Evangelho. Embora o Evangelho seja Boas Novas, ele não se trata das boas novas sobre o que os cristãos desfrutarão na “nova Jerusalém que desce do céu”, nem sobre como Deus pode mudar a vida das pessoas em termos de sucesso, dinheiro, faculdade ou família. O Evangelho também não é baseado em experiências pessoais, pois isso leva ao mesmo erro dos setenta discípulos citados em Lucas 10 – NVT.
Os discípulos foram enviados por Jesus para anunciar a chegada do Reino de Deus e, quando voltaram, ficaram alegres por terem experimentado “sucesso” ao fazer com que os espíritos lhes obedecessem. No entanto, Jesus os advertiu dizendo: “não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus” (Lucas 10:1,17,20 – NVT). Ou seja, Jesus estava ensinando Seus discípulos — e também nos ensina — acerca da soberania de Deus na salvação. Eles deveriam se alegrar no que já havia sido determinado na eternidade e no que Cristo estava prestes a realizar, em vez de se gloriarem em suas próprias experiências.
Assim como aqueles discípulos, muitos em nossos dias preferem promover “cultos” de curas, profecias e milagres do que proclamar a verdadeira alegria que procede da obra soberana de Deus. Eles creem que o homem é livre em si mesmo e se alegram apenas em experiências pessoais, em vez de se regozijarem na ação divina, pois “o evangelho de Cristo é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1:16 – NVT). Sim! Cristo morreu pelos nossos pecados, não como fruto de experiências humanas, mas segundo o plano redentor de Deus em favor do Seu povo. Portanto, o Evangelho não se trata de vivências pessoais, mas da obra soberana de Deus realizada por meio de Cristo. O Evangelho é Cristo crucificado e Sua obra consumada na cruz.
Portanto, sempre que pregar o Evangelho, pregue referindo-se à morte de Cristo na cruz. Exponha a doutrina da obra consumada de Cristo e faça isso publicamente, ousadamente e vivamente, para que, ao ouvirem o Evangelho, as pessoas sejam confrontadas com o Cristo crucificado.

