
Iniciamos um novo ano diante do Senhor. O calendário muda, os dias se renovam, mas Deus permanece o mesmo. O primeiro dia de 2026 não nos coloca diante de um território desconhecido para Ele, nem inaugura um tempo em que o Senhor passa a agir de forma diferente. Entramos neste ano sustentados pela mesma graça que nos trouxe até aqui.
O salmista começa com uma exortação a si mesmo: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor”. A gratidão, na fé cristã, não é fruto apenas das circunstâncias favoráveis, mas um exercício consciente da memória. Ele continua dizendo: “e não te esqueças de nenhum de seus benefícios”. Esquecer é um risco real para o coração humano. Quando esquecemos, passamos a interpretar a vida a partir de nós mesmos, e não da fidelidade de Deus.
Gratidão que nasce da memória
Ao longo das Escrituras, o povo de Deus é constantemente chamado a lembrar. Lembrar dos feitos do Senhor, lembrar da libertação, lembrar do cuidado no deserto. Em Deuteronômio, Moisés diz ao povo:
“Guarda-te, para que não te esqueças do Senhor, teu Deus.”
O esquecimento não acontece de uma vez. Ele se instala aos poucos, quando passamos a tratar a graça como algo comum e a soberania de Deus como um detalhe distante. Por isso, começar o ano em gratidão não é um gesto simbólico, mas um ato de fé madura.
Gratidão não significa negar as dores vividas no ano anterior. Muitos chegam a este novo ano carregando lutos, frustrações, orações ainda sem resposta e cansaço na alma. A gratidão bíblica não ignora essas realidades. Ela reconhece que, mesmo em meio a elas, o Senhor permaneceu fiel.
“As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã.”
Se estamos aqui, não é porque fomos fortes o suficiente, organizados o bastante ou espiritualmente exemplares. Estamos aqui porque o Senhor nos sustentou. A gratidão nasce quando reconhecemos isso com humildade.
Começar o ano com fé não significa fazer grandes declarações, mas assumir uma postura diária de dependência. Jesus nos ensinou a orar pedindo o pão “de cada dia”. Isso nos lembra que a graça necessária para viver não é entregue em grandes reservas anuais, mas concedida dia após dia.
“Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará.”
Entregar o caminho ao Senhor é reconhecer que nossa vida pertence a Ele. É viver o ano não como proprietários do tempo, mas como mordomos. Cada dia é um dom. Cada oportunidade, uma responsabilidade. Cada desafio, uma ocasião para depender mais de Deus.
A fé que nos sustenta ao longo do ano não é construída em momentos isolados, mas em uma caminhada constante com o Senhor, por meio da Palavra, da oração e da comunhão com a igreja.
Que este ano seja marcado não por slogans ou expectativas humanas, mas por uma fé simples, obediente e perseverante. Uma fé que aprende a agradecer em todas as circunstâncias e a confiar mesmo quando não entende.
Que caminhemos como igreja reconhecendo que tudo o que somos e tudo o que temos vem do Senhor. Que nossas decisões, palavras e atitudes reflitam essa convicção.
Entregue o ano que começa ao Senhor, não com exigências, mas com confiança. Decida viver cada dia em dependência, alimentando sua fé na Palavra e caminhando em comunhão com o corpo de Cristo.
Que este seja um ano vivido com gratidão no coração e fé firme no Senhor — não porque sabemos o que virá, mas porque sabemos em Quem confiamos.
“Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e para sempre.”