O dom de línguas é um assunto que frequentemente gera dúvidas e muitos equívocos. Para iniciar nossa reflexão, é importante enfatizar que o dom de línguas se refere a idiomas, e não a expressões estáticas. Na Bíblia, o dom de línguas permitia que as pessoas falassem em outros idiomas sem nunca tê-los aprendido ou estudado. Isso é evidente quando judeus de todas as nações se reuniram em Jerusalém e ouviram um som como de um vento impetuoso; eles ficaram confusos porque cada um ouvia os galileus falar em sua própria língua (Atos 2:2,5–8 – NVT). Eles se perguntavam: “Não são galileus todos estes homens que estão falando? Então, como os ouvimos, cada um de nós, em nossa própria língua materna?”
A importância dessa pergunta é que os galileus eram considerados por muitos judeus como religiosamente inferiores e eram frequentemente menosprezados pelos líderes religiosos de Jerusalém (Marcos 14:70–72 – NVT; João 1:46 – NVT; João 7:15,41–42,52 – NVT). Eles eram principalmente camponeses e pescadores, e sua cultura e dialeto eram distintos dos judeus que viviam no sul da Judeia. Por isso, a habilidade dos galileus de falar em outras línguas foi considerada um sinal milagroso e uma prova do poder de Deus.
Os galileus eram tidos como iletrados, então como poderiam falar em outras línguas? Paulo mais tarde explicou que as línguas eram um sinal para os incrédulos. Por exemplo, é como se um russo incrédulo entrasse em uma igreja simples numa região rural e ouvisse alguém pregando em russo (sua língua materna); ele testificaria a presença de Deus. Foi justamente isso que aconteceu no dia de Pentecostes, quando pessoas de várias regiões ouviram a Palavra de Deus em suas próprias línguas maternas:
“Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, Judeia, Capadócia, Ponto e Ásia, Frígia e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes — todos nós os ouvimos falar em nossas próprias línguas sobre as grandezas de Deus!” (Atos 2:9–11 – NVT)
Portanto, o dom de línguas é concedido pelo Espírito Santo a alguns, enquanto o batismo com o Espírito Santo é uma promessa para todos os que creem em Cristo. No entanto, o fato de algumas pessoas falarem em línguas quando receberam o batismo com o Espírito Santo não significa que falar em línguas seja um sinal universal desse batismo, como muitos afirmaram — e ainda afirmam — hoje em dia. Como Paulo ensinou, nem todos possuem os mesmos dons espirituais (1 Coríntios 12:29–30 – NVT). Ele fez essa analogia para mostrar que é Deus quem concede esses dons de acordo com a sua vontade.
O poder pertence exclusivamente a Deus, e Ele é o Soberano Administrador de todo o universo!
Para continuar estudando…
Sugestão de Pregação: O Discurso do Apóstolo Pedro - Pr. Maxwell Kastemberg

