Esta passagem destaca a eficácia da pregação, demonstrando que é ela quem produz a fé. De fato, a voz humana, por si só, não é capaz de penetrar o coração. O homem seria orgulhoso demais se a ele fosse atribuído o poder de regenerar alguém, visto que a fé é algo tão elevado que não pode ser transmitida de uma pessoa para outra.
No entanto, essas limitações não impedem que Deus trabalhe eficazmente por meio da voz humana, gerando fé em nós por meio da Sua Palavra. A pregação não é o poder em si mesma, mas o instrumento soberanamente usado por Deus para realizar Sua obra no coração do pecador.
É importante salientar que a fé é fundamentada exclusivamente na verdade de Deus. O apóstolo Paulo não ensina que a fé surge a partir de qualquer doutrina, mas restringe expressamente a Palavra de Deus como sua única base. Tal restrição não faria sentido se a fé pudesse depender de decisões ou capacidades humanas. A pregação da Palavra é o meio ordinário pelo qual a fé é gerada.
Embora muitos ouçam a Palavra e não creiam, aqueles que creem, necessariamente, ouviram primeiro. É por isso que a Escritura chama a Palavra de “palavra da fé” (leia Romanos 10:8).
Ela dá origem, sustenta e fortalece a fé. O início, o progresso e a maturidade da fé acontecem por meio da audição. Contudo, é essencial afirmar: é Deus quem opera a fé, usando a Palavra como Seu instrumento. Não é ao ouvir palavras eloquentes de sabedoria humana, mas ao ouvir a Palavra como Palavra de Deus, que a fé é firmada (leia 1 Tessalonicenses 2:13).
Portanto, a fé em Cristo é o resultado de ouvir a Palavra e a doutrina de Deus fielmente pregadas. Ninguém pode ser salvo à parte da obra de Cristo e, consequentemente, é impossível crer para a salvação sem ouvir a verdade da Sua santa, inerrante e infalível Palavra.
Assim, somos lembrados da exortação apostólica:
“Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê.”

